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A geração que já usa inteligência artificial ainda enfrenta dificuldades nas competências básicas

9 de set.
3 min de leitura

A geração da IA ainda não domina o básico


Quase metade dos estudantes brasileiros de 15 anos já utiliza chatbots de inteligência artificial para aprender ao menos uma vez por semana. Ao mesmo tempo, menos de três em cada dez alcançam o nível básico de matemática.

Os dois dados foram divulgados pela OCDE em 8 de setembro, nos resultados do PISA 2025. Juntos, eles revelam uma questão maior do que o desempenho escolar: estamos colocando ferramentas poderosas nas mãos de uma geração que ainda precisa fortalecer as competências necessárias para conferir o que essas ferramentas produzem.OCDE, PISA 2025, nota do Brasil, publicada em 8 de setembro de 2026.


O Brasil avançou, mas o básico continua distante


O resultado brasileiro admite duas verdades simultâneas. A primeira é positiva. Desde 2006, o país reduziu sua distância em relação à média da OCDE nas três áreas avaliadas. Em 2025, registrou 408 pontos em leitura, 377 em matemática e 409 em ciências. Fonte: Inep, 8 de setembro de 2026.

A segunda verdade impede comemorações fáceis. Apenas 49% dos estudantes atingiram pelo menos o nível 2 em leitura, 48% em ciências e 28% em matemática. Na média da OCDE, os percentuais foram 69%, 74% e 65%, respectivamente. Fonte: OCDE, 8 de setembro de 2026.

O nível 2 não representa domínio avançado. Em leitura, significa conseguir identificar a ideia principal de um texto de extensão moderada e localizar informações segundo critérios explícitos. Em matemática, inclui reconhecer como uma situação simples pode ser representada, como comparar rotas ou converter preços.

Portanto, estar abaixo desse patamar não significa que o jovem “não sabe nada”. Significa que poderá enfrentar dificuldade para aplicar conhecimentos básicos em situações reais.


A IA chegou antes da capacidade de verificá-la


No Brasil, 48% dos estudantes disseram utilizar chatbots de IA para ajudar na aprendizagem pelo menos semanalmente. Quarenta por cento usam a tecnologia para pesquisas iniciais, 31% para resumir textos e 27% para elaborar trabalhos escritos.

Esses números não provam que a IA prejudica a aprendizagem. O PISA apresenta associações e retratos populacionais, não uma relação causal entre uso de chatbot e desempenho. Também não permite afirmar que os mesmos jovens que usam IA sejam os que ficaram abaixo do nível básico.

Mas a combinação expõe um risco. Um resumo pode parecer correto e omitir justamente a informação decisiva. Um cálculo pode estar bem apresentado e usar premissas erradas. Uma resposta segura pode citar uma fonte inexistente.

Sem leitura, cálculo e conhecimento prévio, a pessoa consegue receber a resposta, mas não necessariamente avaliá-la.

Créditos: Antonio Solano/ Getty Images/ Solen Feyissa/ Unsplash
Créditos: Antonio Solano/ Getty Images/ Solen Feyissa/ Unsplash

A conversa em casa também diminuiu


Outro resultado merece atenção: Em 2022, 62% dos estudantes brasileiros diziam que pais ou responsáveis perguntavam, pelo menos semanalmente, o que haviam feito na escola. Em 2025, eram 51%. A proporção que conversava semanalmente sobre problemas escolares caiu de 55% para 41%.

O dado não mede afeto e não explica sozinho o desempenho. Ainda assim, mostra que o desenvolvimento dos jovens não pode ser terceirizado integralmente para a escola, para o celular ou para um curso.

Perguntar “o que você aprendeu?” tem mais valor quando vem acompanhado de “como você sabe?”, “qual foi a fonte?” e “você conseguiria explicar isso sem consultar a tela?”. Essas perguntas transformam informação em raciocínio.


Um protocolo simples para não terceirizar o pensamento


Famílias, escolas e organizações podem adotar uma regra para qualquer tarefa feita com IA: responder, verificar e explicar.

Primeiro, a ferramenta pode ser usada para explorar uma questão. Depois, a pessoa deve conferir dados, cálculos e fontes. Por fim, precisa explicar a conclusão com palavras próprias e apontar o que ainda não sabe.

Na prática, isso pode ocorrer ao comparar dois financiamentos pelo custo efetivo, interpretar uma conversão alimentar, avaliar uma cláusula contratual ou decidir entre fornecedores. A competência não está em receber a resposta mais rápida, está em identificar quando ela não merece confiança.

O PISA 2025 não afirma que o futuro está perdido. O Brasil avançou em vinte anos, jovens brasileiros relatam curiosidade próxima à média da OCDE e 67% demonstram interesse em contribuir com a proteção ambiental em suas futuras profissões. Mas o estudo deixa um alerta: acesso digital avançou mais rapidamente do que algumas capacidades fundamentais.

Na era da inteligência artificial, ler, calcular e questionar não perderam valor. Tornaram-se a proteção contra decisões que parecem inteligentes, mas não foram compreendidas.


Sobre a MAG’UP

A MAG’UP desenvolve palestras e treinamentos que conectam liderança, aprendizagem e tomada de decisão, ajudando famílias, equipes e organizações a transformar tecnologia em autonomia, e não em dependência.

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