top of page

Newcastle em Santa Catarina: entenda o alerta e o que muda para produtores e consumidores

há 3 dias
4 min de leitura

Foco em uma criação de perus no Oeste catarinense mobiliza a defesa sanitária e já provoca restrições comerciais. Autoridades reafirmam a segurança dos produtos avícolas inspecionados.

(Foto: Henry Milléo / Gazeta do Povo)
(Foto: Henry Milléo / Gazeta do Povo)

Atualização: 20 de outubro de 2026, pela manhã. O cenário sanitário e comercial permanece sujeito a novas informações.


A confirmação de um foco da doença de Newcastle em Nova Itaberaba colocou a sanidade avícola no centro das atenções em Santa Catarina. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informou que o diagnóstico foi confirmado em 18 de outubro, em uma criação comercial de perus de corte. A divulgação oficial ocorreu no dia 19. A unidade foi interditada, com suspensão da movimentação de aves. Fonte: Mapa, 19/10/2026.

Segundo o Ministério, o estabelecimento reúne aproximadamente 6 mil perus, que permaneceram na propriedade e não foram destinados à produção de carne para consumo. O caso foi identificado nas ações de vigilância sanitária. O Governo de Santa Catarina informou que as aves não apresentavam sinais clínicos, mas os exames detectaram o vírus. Fontes: Mapa, 19/10/2026; Governo de SC/Sape/Cidasc, 19/10/2026.

A situação exige atenção de produtores, profissionais, empresas e consumidores. Compreender o que foi confirmado ajuda a acompanhar as medidas de controle e a evitar que informações incompletas provoquem medo ou decisões precipitadas.


O que é a doença e como ela se espalha


Foto: USDA/Preston Keres
Foto: USDA/Preston Keres

A doença de Newcastle é uma enfermidade viral altamente contagiosa entre aves. Pode causar sinais respiratórios, nervosos e digestivos, queda na produção de ovos e mortalidade, com gravidade variável. A Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) ressalta que os sinais podem se parecer com os da influenza aviária, tornando indispensável a confirmação laboratorial. Fonte: OMSA.

O vírus pode circular pelo contato com aves infectadas, água, alimento, equipamentos e roupas contaminadas. A proteção exige cuidados cotidianos, mesmo sem sinais visíveis. Fonte: OMSA.

No episódio catarinense, a detecção sem sinais clínicos reforça a importância da vigilância ativa, que procura identificar a circulação do agente por meio de investigações e exames.


Quais medidas estão sendo adotadas


A Portaria Mapa nº 962, de 19 de outubro de 2026, declarou emergência zoossanitária por 60 dias em Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim. O texto pode ser consultado na reprodução do Diário Oficial disponibilizada pelo Atlas Público. Fonte: Portaria Mapa nº 962/2026.

O plano anunciado pelo Ministério prevê acompanhamento de aproximadamente 133 propriedades na região, com avaliações clínicas e coleta de amostras. Estar na área monitorada não significa ter um foco confirmado. Na unidade afetada, as medidas incluem eliminação sanitária das aves, limpeza e desinfecção das instalações. Fonte: Mapa, 19/10/2026.

A execução cabe ao Serviço Veterinário Oficial, em articulação com os demais envolvidos. Produtores precisam seguir as determinações específicas recebidas para sua propriedade e localização.


O consumo de carne e ovos continua seguro?


Sim. O Mapa afirma que os produtos avícolas submetidos à inspeção oficial permanecem seguros para consumo, sem contraindicações relacionadas à ocorrência. O Governo de Santa Catarina também reafirmou a segurança da carne de aves e dos ovos provenientes de estabelecimentos inspecionados. Fontes: Mapa, 19/10/2026; Governo de SC, 19/10/2026.

Essa orientação sobre alimentos deve ser compreendida junto aos cuidados ocupacionais. A OMSA informa que a infecção pode causar conjuntivite geralmente leve em humanos. Pessoas que trabalham diretamente com aves devem seguir os procedimentos de proteção orientados pelos responsáveis técnicos e pelas autoridades. Fonte: OMSA.

Foto: Shutterstock
Foto: Shutterstock

Por que um foco pode repercutir nas exportações


A repercussão comercial já começou. Em reportagem publicada nesta manhã, 20 de outubro, a CNN Brasil informou que o México suspendeu a importação de produtos avícolas brasileiros após anúncio das autoridades mexicanas no dia anterior. A informação também foi divulgada pelo veículo mexicano N+, com base em comunicado da Secretaria de Agricultura daquele país. Fontes: CNN Brasil, 20/10/2026; N+, 19/10/2026.

As decisões de outros mercados dependem dos respectivos protocolos sanitários e da avaliação das medidas brasileiras. O Mapa informou que mantém a comunicação com os parceiros comerciais. Fonte: Mapa, 19/10/2026.

Para a gestão, o episódio evidencia como uma ocorrência localizada pode repercutir em contratos, programação industrial e logística. A dimensão financeira dependerá da abrangência e da duração das restrições. Ainda não há, nas fontes consultadas, uma estimativa consolidada das perdas deste episódio.

Agrimídia, 2025.
Agrimídia, 2025.

O antecedente de 2024


O Brasil enfrentou um foco em uma criação comercial no Rio Grande do Sul em 17 de julho de 2024. Na resposta em Anta Gorda, o governo estadual mobilizou 89 servidores para vigilância e barreiras sanitárias. Posteriormente, o país recuperou a condição de livre da doença em aves comerciais, com referência a 23 de outubro de 2024. Fontes: Mapa/PNSA; Governo do RS, 29/07/2024.

Esse histórico mostra a importância da resposta coordenada. O tempo necessário para controlar a ocorrência atual, entretanto, dependerá dos resultados da investigação e do cumprimento dos critérios sanitários.


A prevenção também depende das pessoas


A OMSA recomenda controle de acesso às granjas, limpeza e desinfecção e prevenção do contato com aves de condição sanitária desconhecida. Essas medidas precisam ser incorporadas aos procedimentos de cada estabelecimento. Fonte: OMSA.

Na gestão, isso exige transformar orientação em prática: definir responsáveis, capacitar quem entra nas instalações, manter registros e garantir que todos saibam a quem comunicar uma alteração.

O Mapa determina a notificação imediata de suspeitas ao Serviço Veterinário Oficial. Sinais respiratórios, nervosos ou digestivos, mortalidade súbita e alterações produtivas associadas ao aumento de mortes estão entre os critérios apresentados pela pasta. A comunicação pode ser feita à unidade veterinária oficial mais próxima ou pelos canais indicados pelo Ministério. Fonte: Mapa, página atualizada em 16/04/2026.

A notificação permite investigar e confirmar ou descartar a suspeita. Esperar que o problema se torne evidente pode atrasar a resposta.


O que acompanhar nos próximos dias


Os resultados do monitoramento, a execução das medidas de controle e os comunicados de cada mercado importador serão decisivos para compreender a evolução do caso.

Para consumidores, a referência permanece a orientação oficial sobre os produtos inspecionados. Para produtores e organizações, o momento pede atenção aos protocolos e comunicação clara com os grupos de trabalho.

O episódio reforça uma responsabilidade compartilhada: proteger a produção exige estrutura técnica, pessoas preparadas e disciplina cotidiana.


Sobre a MAG’UP

A MAG’UP apoia propriedades, cooperativas e empresas no desenvolvimento de lideranças, na comunicação e na organização das rotinas de trabalho. Pessoas que compreendem suas responsabilidades contribuem para a execução consistente dos procedimentos definidos pelos responsáveis técnicos.

Comentários


bottom of page